sábado, 24 de junho de 2017

JOÃO BATISTA, O PRECURSOR

São João, São João, 
acende a fogueira no meu coração.

Enlevados pelos ritmos das quadrilhas, das canções etc.
acabamos por nos esquecer
quem é realmente esse João. 

Comemoramos hoje o nascimento de João o Batista. São Lucas nos conta que João nasceu numa cidade do reino de Judá, e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da historia do povo de Israel.

Foi ele a voz que clamava no deserto anunciando a chegada do Messias não cessando, jamais, de chamar os homens à conversão: “Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo”. Em suas pregações Insistia sempre para que os judeus, se preparassem pela penitência, pois estava próxima a chegada do Messias prometido.

Seu nascimento foi prodigioso, uma vez que sua mãe, Isabel, era estéril e de avançada idade. Ainda assim, viu ser possível realizar seu justo desejo: ter um descendente; Coube ao arcanjo São Gabriel a tarefa de levar o anúncio a Zacarias, seu esposo, deixando-o incrédulo: sua mulher dará a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e será o precursor do Salvador.

Pela graça de Deus o menino não foi morto no massacre dos inocentes quando milhares de crianças foram assassinadas na região de Belém a mando de Herodes.

Um fato peculiar durante a gestação de Isabel foi a visita que lhe fez Maria, quando o Verbo se fez carne no seu ventre.  Cheia do Espírito Santo, exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.” (Lc 1:39-44).

Essas circunstâncias, impregnados de um clima sobrenatural, foram preparadas sabiamente pela Divina Providencia para que o papel de João Batista fosse realçado como precursor de Cristo. 


Estando ainda em sua juventude, João retirou-se para o deserto. Nesse ambiente austero, recolhido e afastado dos homens ele preparou-se para sua missão. Vestido de pelos de camelo e um cinturão de couro, ele alimentava-se apenas de mel silvestre e gafanhotos. Com jejuns e orações, colocou-se por inteiro na presença do Altíssimo, levando uma vida extremamente coerente com seus ensinamentos. Permaneceu no deserto até por volta de seus trinta anos quando iniciou suas pregações às margens do rio Jordão.



Do programa "Cinco Minutos com Maria"
 que marca 23 anos no próximo 3 de agosto,  na Rádio América  
AM  690 - 27:55

quarta-feira, 21 de junho de 2017

MISSÃO E SERVOS

Vocês já repararam como a Igreja vem falando com mais intensidade e
frequência sobre missionariedade? Sem distinção de cor ou raça, de língua ou de credo, os Cristãos são chamados a ser missionários do Pai, porque a obra operada por Jesus Cristo, deveria continuar através dos discípulos e de todos quantos o amam. 

Sim, foi finalizada com sua afirmação tudo está consumado ao morrer na cruz, mas Jesus quis que a Boa Nova que Ele representou continuasse a ser proclamada em todos os tempos, não fora assim, o próprio Jesus não teria ordenado: ide pelo mundo inteiro e batizai todos, em nome da Trindade, único Deus, representada pelo Pai e pelo Flho (ele mesmo) e pelo Espírito Santo.

Foi a certeza desta vontade expressa do Mestre que levou o Apóstolo Paulo a entender as provações pelas quais estava passando no seu ministério e afirmou: completo em minha a carne o que falta à paixão de Jesus Cristo.

Não falta nada alguém dirá. A resposta se dá pelo mandamento que acima citei, ide... e porque estava provado que ainda hoje, mesmo diante do conhecimento da paixão de Jesus e de sua morte, muitos se recusam a crer, prescindem da presença de Deus em suas vidas e tentam viver como se Ele não existisse.

E se Maria é nosso modelo, temos o que aprender com ela: Maria é missionária, acima de tudo missionária, porque nela se realiza e se gesta o transbordamento do amor de Deus, representado por Jesus Cristo. Maria foi portadora de Jesus ao mundo.

João batiza Jesus.
Maria está sempre envolta dessa presença do mistério divino, desde o seu SIM, pelo qual tornou-se a mãe do Salvador (Lc 1, 26-38) até o seu SIM dolorido e sofrido aos pés da cruz de Jesus (Jo 19, 25-27). Ela se torna filha bendita por meio do amado Filho! Reconhecemos em Maria o autêntico itinerário que cada batizado deve trilhar para viver como missionário.


E a lição que ela nos transmite de como ser missionários concentra-se no que disse aos garçons nas Bodas de Caná:  “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). 

Os missionários, ou seja, todos os batizados, que gastam a sua vida à frente dos campos de missão ou no dia-a-dia do seu trabalho, da vida familiar e das ações eclesiais encontram em Maria o modelo perfeito de dedicação e fidelidade, pois ela se consagrou totalmente como Serva do Senhor.

segunda-feira, 19 de junho de 2017



Como as fontes!


ACADEMIA MATEENSE DE LETRAS - Amaletras
    CONCURSO LITERÁRIO ELZA CUNHA –                          Edição  2017                                                         

EDITAL 01/2017

A Academia Mateense de Letras – Amaletras – São Mateus – ES – (Brasil) torna público que se encontram abertas até o dia 15 de outubro do corrente ano, concurso literário em prosa (conto ou crônica) ou poesia. Tema livre, não preconceituoso, obedecidos princípios morais. Prosa, máximo duas laudas, poesia máximo 50 versos.

Poderão concorrer pessoas de todo o Brasil ou do exterior desde que falem português.

Uma comissão qualificada fará avaliação dos trabalhos e da sua decisão não caberá recurso.

Os textos deverão ser apresentados em fonte Verdana, espaço 1,5, folha A4 e podem ser enviados para o e-mail  dahermp@hotmail.com. Identificado com pseudônimo.

Em se tratando de remessa eletrônica, faculta-se a identificação do autor (nome, pseudônimo, endereço postal, e-mail) num segundo anexo.

Alunos do ensino médio e fundamental devem colocar ao lado do respectivo pseudônimo, idade e ano que cursa, além da respectiva autorização pelos pais, se menores de 18 anos.

Serão classificados três trabalhos em cada gênero. Os primeiros classificados receberão a Comenda “Elza Cunha” com respectivo diploma, além do Certificado de participação. Os segundos, receberão uma medalha de mérito e Certificado de participação. Os terceiros lugares receberão Certificados de participação. Todos terão seus trabalhos publicados na Amaletras – Antologia III, no ano de 2018, salvo manifestação contrária no ato  da inscrição. Receberão ainda respectivamente: quatro, três e dois exemplares da antologia.

Não haverá devolução dos trabalhos. 

São Mateus, 19 de junho de 2017.




domingo, 18 de junho de 2017

O BEM NÃO FAZ BARULHO


Todos nos devemos manter atualizados, saber o que se passa ao nosso lado,

além de nós, e até em outras fronteiras.

O meio destinado à promoção desta possibilidade é a mídia: jornais, televisão, rádios e revistas. Entretanto, já há pessoas que se recusam a ler jornais. Uma expressão comum entre muitas é a de que, “se torcermos o jornal, sai sangue”, traduz-se em dizer que as notícias estampadas em suas páginas são sempre de desastres, crimes de toda sorte, morte.

De fato, os jornais optaram preferencialmente por anunciar o mal, as coisas ruins que acontecem. Dizem que é disto que o povo gosta e se não usarem de tal expediente, o jornal não é comprado. É claro, que como empresas que são, devem dar lucro.  Daí ser este o principal objetivo deles.
Antes de escrever, examinei ao menos seis edições de um determinado jornal e a constatação não foi outra.

Entretanto, os que cremos em Deus não nos podemos incluir entre os arautos do caos. Importa crer que “Jesus Cristo é o Senhor”, (Fil. 2,11) que são muito mais os que crêem nele, do que os que o renegam e que, numa “nação, cujo Deus é o Senhor”, (Sl 143,15) não obstante as aparências, devemos continuar acreditando, que nem tudo está perdido.

Podemos ter desviado o rumo de muitas coisas, muitas mesmo. Perdemos o sentido da grandeza de Deus, deixamo-nos levar por outros deuses e seguimos ao invés dos verdadeiros pastores, lobos vorazes.

Perdemos o rumo da família que “recebeu a missão divina de ser a primeira célula vital da sociedade... se torna uma espécie de santuário doméstico da Igreja, quando a piedade de seus membros os reúne na oração comum, ... pratica a hospitalidade, promove a justiça e se põe a serviço dos que passam necessidade”. (Vat II 955).  Somos levados a não levar a sério a voz da consciência e, mesmo, quando sentimos os apelos que nos são feitos de forma categórica, achamos que o destinatário pode ser  “um outro”.

A Palavra de Deus é ouvida, mas pouco posta em prática. Abdicamos do nosso potencial de cidadãos e não nos posicionamos de forma mais categórica ante os representantes que elegemos, que não cumprem o que prometem, e ainda assim, levados por falsos cantos de sereia, os discursos de palanque, acabamos por reconduzi-los aos cargos dos quais se valem, somente, para a própria promoção.

Marginalizamos ou não conhecemos nossos direitos, ao invés, somos capazes de criar, inexistentes.

Formamos a comunidade humana que só será bem definida, só será plena e conduzirá todos a serem efetivamente iguais perante a lei, se todos, neste sentido, se empenharem.

Nós também formamos  o que na natureza se chama de ecossistema, comunidade de seres vivos que se entrosam, colaboram uns com os outros e ainda servem ao homem, por acréscimo.  Já dissera Raul Folereau: “ninguém tem o direito de ser feliz sozinho”. 

É preciso buscar o bem e saber contrapô-lo ao mal. É preciso não comprar o jornal puro sangue. É preciso proclamar pelas ruas e praças que o bem existe.
O bem é de Deus e assim é discreto, age silenciosamente, persistentemente, dá sem nada pedir em troca, é fermento que leveda a massa e a faz crescer. O mau precisa de palco e dá espetáculo para ser visto.

Não é verdade que tudo vai de mal a pior. Ou o sacrifício redentor do Cristo, Filho de Deus, de nada teria valido.

Talvez precisemos mudar as cores das lentes dos óculos através dos quais contemplamos as coisas e acabaremos por constatar que como o bem não faz barulho, o barulho não faz bem.

Marlusse Pestana Daher
Promotora de Justiça

Esse artigo foi escrito há bem uns 15 anos.

Tenho, mas não localizei a data.

sábado, 17 de junho de 2017

ENQUANTO VEM A PRIMAVERA

Mulher
De uma de nós,                                                                                             Nasceu o Salvador,                                                                                         Porque uma de nós respondeu Sim,                                                                 Nasceu o Redentor.

A cada uma de nós é devida,                                                                         a povoação do mundo inteiro.                                                                         Veja-se não é pouco.                                                                                     É tudo que faz-se necessário ser.

Extirpe-se uma só das mulheres                                                                     das que estão pelo mundo                                                                             e muito lar deixará de ser                                                                              o que ainda tiver por ser ou vir,                                                                     e jamais virá ou será.

Ele que nasce                                                                                                 de um útero de mulher,                                                                           jamais entre nós seria visto,                                                                           sequer viria a existir,                                                                                       se não fosse uma mulher.

Em outra mulher,                                                                                          é que ele busca,                                                                                          a companheira de sua vida, até                                                                 Como sua forma de fazer gerar filhos,                                                 prolongar-se pela espécie se ver.

Não obstante,                                                                                           crê-se mais poderoso, ou melhor,                                                               Impondo-se pela força,                                                                                   subjuga e faz escrava,                                                                                     esbofeteia e fere de morte,                                                                        mais que o corpo, sobretudo a alma.

É quando desce às profundezas                                                                    do que de pior tem                                                                                       e pensa que ao invés,                                                                                    é assim que se faz maior.                             

Não, nunca, ledo engano,                                                                          rebaixa-se à condição triste de verme                                                            e menos que um homem acaba por ser.

Não quero ser a rainha do lar,                                                                      sequer a qualquer realeza pertenço.                                                           Não quero ser nada mais,                                                                         nem igualmente menos do que sou.

Quero ser livre,                                                                                             quero ser feliz,                                                                                       quero ser respeitada,                                                                              quero minha dignidade preservada,                                                          quero mostrar minha face ao mundo,                                                           sem constrangimento,                                                                               sem hematomas a esconder,                                                                          Quero ser amante e amada,                                                                    Quero. O que quero é apenas ser mulher!




                                                                       

Atriz mateense

                                                                            
                                                                       Vitória, 16:20 em 22 de setembro de 2011,                                                                        Retocada 08:12, 17 de junho 2017.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Zuma, a escrava que não sorria.


Porque recordar é viver... 

       Vó Zica costumava sentar-se à beira do fogão de barro de sua casa, para “quentar fogo”, como ela dizia. Será que vó Zica  “quentava o fogo” ou  era o calor do fogo que a “quentava”?

        Alegre, depois de saborear com boa disposição o prato de comida que a filha lhe preparava, estava sempre disposta a repetir velhas histórias. Principalmente, do tempo da escravidão. Entre tantas que ouvi, guardei bem a da preta Zuma.

        Era uma negra  muito bem traçada,  rosto de Sinhá em cara de escrava. Um nariz afiladíssimo... E como tinha graça no andar! Tudo que botava em cima, nela ficava muito bonito. Muito asseada, cheirava que nem flor.

        Zuma acordava sempre antes do sol, vestia-se como princesa nos seus andrajos de mucama, dirigia-se à cozinha. Não se passava muito tempo e o cheiro do café e do pão fresquinho se espalhava pelo casarão. Tinha uma mão de fada.

Era também a preferida de Sinhá, que a solicitava para todo serviço. Nunca se viu Zuma resmungar, mas nem muito menos sorrir.

        Foi exatamente Sinhá quem resolveu perguntar-lhe um  dia:

- Zuma, vejo-a sempre ocupada nos diversos afazeres. Tudo seu é muito bem feito! Mas por que nunca sorri?

Com um olhar amigo e doce, envolveu a Senhora, mas não lhe deu resposta. Havia tanta  grandeza naquela atitude, que nem mesmo o fato de se tratar de uma escrava diante de sua Senhora, fez com que Sinhá se ofendesse. Respeitou aquele silêncio, como quem  compreendera que eram muitas e sólidas as razões.

Zulu, filho do escravo Dundi, enamorou-se de Zuma com quem pretendeu casar-se. Era um negro alto, corpo de atleta. Bem olhado por todas as negras casamenteiras da senzala.

Havia outros pretos que muito gostariam de casar com ela. Zulu, no entanto, se destacava, porque tinha grandeza de alma e era muito respeitoso. Se a moça reunia todas as qualidades para ser uma boa mulher, não faltavam ao rapaz, as de um bom marido.

Ao se aproximar, assim que pode, da escolhida e pedir-lhe a mão em casamento, ouviu como resposta:

- Não. Não quero me casar. Não quero ser mãe de outros escravos que devam viver a vida como nós. Aprendi no catecismo que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e que todos somos seus filhos. Ou surge o dia da liberdade e todos seremos mesmo iguais, ou, pelo menos,  eu não gerarei escravos.

Os dias passaram-se. Certa manhã, não se espalhou pela casa, o cheiro do café e do pão fresquinho de Zuma que também não era vista em qualquer outro lugar.

Procurada na velha cama, num canto da senzala, a escrava  ardia em febre, pronunciando palavras que ninguém pode entender.

Avisada, Sinhá mandou que lhe chamassem um médico. Antes que ele chegasse, a alma de Zuma voou para Deus no céu.  Exalava o último suspiro, enquanto um negrinho  que surgiu correndo, anunciava a boa notícia: Somos livres, somos livres, acabou a escravidão!

Zuma não viu despontar a aurora da liberdade física na terra, mas viu-a em grandeza sem fim, nascendo para a vida eterna.

Marlusse Pestana Daher
em homenagem aos que continuam na luta...


Para conhecimento: http://www.historiailustrada.com.br/2014/04/raras-fotografias-escravos-brasileiros.html

segunda-feira, 12 de junho de 2017

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


Ninguém é escusado do descumprimento da lei, mesmo que alegue desconhecê-la. Entretanto, como conhecer, se não é divulgada?
Quando há descaso, certamente,


Importa  pois que se divulgue,  por exemplo, a  Lei 8.429, de 02 de junho de 1992. Cuida da Improbidade Administrativa, dispondo sobre as sanções aplicáveis ao  agente público, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função, na administração direta, indireta ou fundacional, além de definir como e quando sua conduta se traduz em ato com tal definição. Classificando as condutas, aponta a forma de apurá-las e puni-las.

Por tal abrangência,  foi chamada de  BABEL JURÍDICA, já que se compõe de normas de Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Econômico, Direito Penal e de Direito Processual Penal. Principalmente, pelas confusões geradas na redação dos arts. 9º, 10º e 11,  é o que menciona,   em artigo, a Profª Maria do Carmo Leão, (do Curso de Mestrado e Graduação do Centro de Ciências Jurídicas - Universidade Federal da Paraíba).

        A palavra probidade é originária  do latim “probitas”, do radical “probus” cujo significado é crescer retilíneo,  era aplicada às plantas. Usada depois, em sentido moral, dá origem a provo, reprovo, aprovo e outros cognatos. Significa a atitude de respeito total aos bens e direitos alheios e constitui ponto essencial para a integridade do caráter. O homem probo, define Fernando Bastos de Ávila, S.J[1],  na sua Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, “é firme nas promessas que faz, é sincero com os outros, incapaz de se aproveitar da ignorância ou fraqueza alheia. No campo administrativo ou em sentido profissional, traduz a idéia de honestidade e competência no exercício de uma função social”.

tudo falta para a educação. 
        Da conduta  inversa do que acima foi dito, temos improbidade administrativa cujo  sujeito ativo será,  portanto,  aquele que estiver investido de função pública, seja qual for a forma que a ela tiver sido guindado, a condição da qual se revista, em caráter temporário ou efetivo e  que importe no gerenciamento, na destinação ou aplicação dos valores, bens e serviços cuja gestão tenha como finalidade, o público. Admite co-autoria que por sua vez independe da qualidade de quem a tanto se prestar.

        Entende-se, via de conseqüência,  o preceito constitucional esculpido no art. 37: a administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

        O princípio da eficiência adveio ao texto primitivo, pela emenda 19, de 04 de junho de 1998 e pressupõe aquele conjunto de formas ou normas que leve a consecução do máximo em resultado com mínimo em tempo. Acrescentarei ainda, que eficiência se somará à diligência funcional. Pelo princípio da legalidade, todo ato administrativo deve ser precedido de lei, isto é, o administrador tem sua área de ação delimitada por  parâmetros legais. Fora da lei, nada é permitido.  Pelo princípio da impessoalidade lhe são vedados os tratamentos discriminatórios em qualquer de suas manifestações. O princípio da moralidade impõe obediência, não só no que a mesma lei tem de formal, mas  na sua teleologia (conjunto de especulações  aplicadas à noção de finalidade). Quanto à publicidade implica em proibição do sigilo e segredos administrativos, salvo raríssimas hipóteses que envolvam segurança nacional.[2], o que se restringe ao nível federal.

A Improbidade Administrativa se manifesta de três modos: quando importa em enriquecimento ilícito, quando causa prejuízo ao erário, quando atenta contra os princípios da administração pública.

No primeiro caso, se constitui do ato de agente público que aufere qualquer tipo de vantagem patrimonial em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade.

São os contratos super valorizados com empreiteiras, a participação no lucro de empresas contratadas para execução de serviços, uso de instrumentos e máquinas em benefício próprio, recebimento de propinas ou qualquer outro tipo de vantagem.

No segundo, temos o causar prejuízo ao erário, independente de culpa ou dolo, por ação ou omissão, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, mal baratamento ou dilapidação dos bens ou haveres do patrimônio público,  independente da esfera em que se encontre.

Corresponde ao  permitir que alguém integre ao próprio patrimônio, o que é público; à utilização de bens, rendas ou valores incluídos na condição de indisponíveis; às doações mesmo que com fins nobres, tipo educativo;  a disponibilizar de forma pessoal a quem quer que seja o que é exclusivo do patrimônio coletivo e pelo poder público tutelado.

E no terceiro caso, improbidade administrativa  implica no ato que atenta contra os princípios da administração pública, seja por ação ou omissão, violando os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade.

Destacam-se entre estes, o ato proibido em lei, o retardamento, ou não execução de ato de ofício, revelação de segredo necessário para obtenção de um resultado, ilicitude ou fraudação  de concurso público,  além de outros.

As três modalidades seguem-se de incisos, onde as condutas sob sensura, são igualmente tipificadas. 

As penas independem das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, têm gradação, a critério do juiz,  conforme o resultado do ato ímprobo e se traduzem  em  perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial, proibição de contratar com o Poder Público,  receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, por até dez anos.

Como forma preventiva ou inibidora, nem sempre eficiente, a lei prevê a declaração de bens dos agentes que se investem de função pública, com obrigação de atualização anual que se pode dar mediante a que é apresentada à receita federal.

Faculta a qualquer pessoa o direito de representação sobre fato que deva ser investigado e que será reduzida a termo, se já não vier escrita. A autoridade administrativa poderá processar ou rejeitar tal representação. Em caso de fundados indícios de responsabilidade, poderá ainda, ser representado ao Ministério Público, no sentido de que requeira ao juízo competente,  o seqüestro dos bens do indiciado.

A pessoa jurídica interessada concorre com o Ministério Público, no direito de propor, no prazo de trinta dias da efetivação da medida cautelar, a ação principal.

Sob pena de nulidade, a intervenção do Ministério Público se impõe, como fiscal da lei,  no caso de a pessoa jurídica ser autora. Esta será  chamada a integrar a lide, no caso de o autor ser aquele.

Das ações destinadas a promover as sanções previstas na lei, ocorre prescrição: após cinco anos, do término do mandato de quem o exerce,  de cargo de confiança ou de provimento em comissão; o prazo prescricional é o previsto em lei específica no caso de faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos  de emprego ou cargo de provimento efetivo.

Como se vê, temos lei,  mas, a nossa é uma cultura onde o poder econômico continua falando mais alto ou vence pelo grito. A cidadania que precede a democracia é menos invocada que esta e nem sempre exercida. Importaria que o povo se investisse, se travestisse, se necessário, do cidadão que cada um deve ser.

Dispõe de armas imbatíveis mas não as utiliza. Prefere o peixe a saber pescar. Acontece, como escreveu a  Professora Maria do Carmo: “a cultura do favorecimento no nosso país está muito arraigada, da mesma maneira que levou tempo se solidificando, vai levar tempo para ser exterminada. As coisas tomaram um rumo tal, que as pessoas, na sua grande maioria, aceitam com naturalidade a improbidade. A "lei do Gerson" para muitos não é demérito. A coisa pública parece pertencer aos mais espertos, e os que não levam vantagem em tudo são tachados de imbecis”.

Concordo com ela, mas acrescento: não renuncio à esperança de que,   lado a lado com as pessoas que menciona, existam outras tantas que se obstinam em lutar para mudar tudo que está ai. Para fazer valer a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência, no sentido de que a administração pública possa cumprir sua finalidade e como dita com seus incisos, o art 3º, da Constituição Federal: construamos uma sociedade livre, justa e solidária; seja garantido o desenvolvimento nacional (sustentável); erradiquemos a pobreza e a marginalização, reduzindo as desigualdades sociais e regionais e promovendo o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Marlussse Pestana Daher
é Promotora de Justiça no ES




[1] FENAME – Fundação Nacional de Material Escolar – Ministério de Educação e Cultura - 1972
[2] Hely Lopes Meirelles

domingo, 11 de junho de 2017

SANTÍSSIMA TRINDADE


SANTÍSSIMA TRINDADE

A festa da Santíssima Trindade se repete a cada ano, no domingo seguinte ao de Pentecostes. Refletir sobre a Santíssima Trindade é confessar o quanto Deus é grande, posto que, sendo Único e não teremos outro Deus ao qual adorar (Isaias. 44,8), na Sua onipotência faz-se três pessoas iguais e realmente distintas: o Pai que nos criou, o Filho que nos salvou, o Espírito Santo que nos santifica.
Logo no início a carta de Paulo aos coríntios associa-nos à indivisibilidade da Trindade. Diz o Apóstolo: Há diversidade de dons, mas é um mesmo o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas é um mesmo o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.
Mergulhemos na grandeza desse mistério, deixemo-nos envolver por ele, sejamos acessíveis a essa comunhão com a Santíssima Trindade e também entre nós. Cada um tem seus dons para que se complete com os demais, para que os disponibilize suprindo a lacuna do outro ao mesmo tempo, recebendo o que o outro tem para nos doar.
Cada um de nós tem uma tarefa a cumprir, cada um de nós exerce uma profissão ou ofício, é fundamental que seja desempenhado em espírito de serviço, não atrase, não retarde porque tudo tem seu tempo certo debaixo do céu. Sobretudo, disponibilizemos nossos dons, exerçamos nossos misteres, convictos de que é Deus quem nos dirige, é Deus quem se serve de nós para estar presente na comunidade humana. Ele se vale de nós para fazer o que deve ser feito.
E tudo isto, para que tenhamos real percepção do mundo em que vivemos, entendamos que somos profetas e nos compete ajudar para que este mundo, ao menos um pouco, se torne melhor.
Temamos o Senhor que passa e pode não voltar mais. (S. Agostinho).

E como resgatados pelo Amor, professemos nossa fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos na unidade nosso Deus onipotente.

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

MÃE DA ESPERANÇA

  Com pequena adaptação de um discurso do Papa Francisco. 


No dia 10 de maio o Papa Francisco em sua catequese evidenciou Maria e as mães do nosso tempo. Lembrou que no caminho da sua maternidade, Maria teve que atravessar mais do que uma noite sombria. Ainda jovem, respondeu “sim” à proposta da qual o Anjo Gabriel (o portador) lhe fez de ser a mãe do Filho de Deus, embora nada soubesse do destino que A esperava.
Não obstante a tempestade do calvário,  
 Maria nunca duvidou de que Deus é AMOR.    

“Naquele instante, Maria se parece como uma de tantas mães do nosso mundo, corajosas até o extremo quando se trata de acolher no próprio ventre a história de um novo homem que nasce”, disse o Papa, acrescentando que Ela é uma mulher que não se deprime face às incertezas da vida; nem uma mulher que protesta e se lamenta contra a sorte que muitas vezes se Lhe apresentava hostil. Pelo contrário, é uma mulher que aceita a vida como vem, com os seus dias felizes, mas também com as suas tragédias.

Maria simplesmente "estava". Na noite mais escura de Maria, da crucifixão do seu Filho, Ela permaneceu ao pé da cruz, desconhecendo o destino de ressurreição do seu Filho. Neste episódio, os Evangelhos são lacônicos e discretos, registram com um só verbo a presença da mãe. “Ela estava.” Nada dizem de sua reação nem sua dor, que ficou para a criatividade de poetas e pintores.

“As mães nunca desistem nem abandonam. As mães não traem”, afirmou Francisco. Os Evangelhos somente dizem: ela estava. No momento mais cruel, Ela sofria com o Filho. Estava. Ela simplesmente estava ali. Todos nós conhecemos mulheres fortes, que levaram avante os sofrimentos de seus filhos.”
Não somos órfãos- Depois, em Pentecostes, no primeiro dia da Igreja, reencontramos Maria como Mãe da Esperança em meio àquela comunidade de discípulos tão frágeis: um tinha negado o Mestre, muitos tinham fugido, todos tinham medo. Maria simplesmente estava lá no seu modo normal de ser, como se fosse algo natural: a Igreja primitiva, envolvida pela luz da Ressurreição, mas também pela incerteza e o medo dos primeiros passos a dar no mundo.

 “Por isso, todos nós A amamos como Mãe. Não somos órfãos, todos temos uma mãe no céu”, disse ainda Francisco.


Maria nos ensina a virtude da espera, mesmo quando tudo parece sem sentido, pois confia no mistério de Deus. “Nos momentos de dificuldade, que Maria possa sempre amparar os nossos passos, possa sempre dizer ao nosso coração: levanta-se, olhe para frente, para o horizonte. Sou a Mãe de esperança.”

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CARTA DO CACIQUE SEATLE EM RESPOSTA AO GOVERNO DOS EEUU

A CARTA DO CHEFE INDÍGENA SEATTLE - (1854)

Resposta do Cacique Seattle ao Governo dos Estados Unidos que tentava comprar as suas terras (1854):

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo?  Desapareceu.

Onde está a águia?  Desapareceu.

É o final da vida e início da sobrevivência. O que significa dizer adeus ao pônei ágil e a caça. Guardem na memória a recordação deste país tal como está no momento em que o tomam. e com toda a sua força, todos o seus pensamento, todo o seu coração, preservem-no para os seus filhos e amem-no como Deus nos ama a todos.

Assim iremos considerar a sua oferta de compra a nosssa terra. E se aceitarmos será para estar seguros de receber a reserva que nos prometeram. Lá talvez poderemos terminar as  breves jornadas que nos restam  viver, segundo os nossos desejos. 

E quando o último homem vermelho tiver desaparecido desta terras e que a nossa lembrança não for mais do que a sombra de uma nuvem flutuando na planicie, estas margens e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Pois eles amam esta terra como o recém-nascido ama o batimento do coração da sua mãe. Assim se  nós lhes vendermos nossa terra, amem-na como nós a amamos. Tomem conta dela como nós o fizemos.

Nós sabemos de uma coisa: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra . O próprio homem branco não pode escapar ao destino comum.  Talvez sejamos irmãos. Veremos. 








Se  gostar, leia TERRA DOS MIL POVOS, de Kaká Werá Jacupé, índiio txucaramãe  que conta o que ouviu dos seus ancestrais.

Para baixar em pdf: 
https://www.fnlij.org.br/.../download/12_8bfdb96a7adca13a92f5d142d3eda631.html